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| Minha viagem à Venezuela 1 |
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| Batendo Papo | |||
| Postado por Profa. Tânia Neves | |||
| Qua, 08 de Setembro de 2010 22:57 | |||
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Em agosto tive a oportunidade de viajar para o Caribe. Queria aproveitar as milhagens da TAM. O detalhe é que a TAM só possui vôos até Caracas e, de lá, você pega um avião para Aruba. Então, pensei: -“É uma oportunidade de conhecer a Venezuela, afinal, ouvimos falar tanto do amigo do Lula, será interessante conhecer de perto a realidade do povo daquele país.” Planejei chegar a Caracas, alugar um carro e conhecer os locais turísticos, como a Ilha de Margarita, entre outros locais. Cheguei ao aeroporto com os olhos bem abertos pela curiosidade. Estava ansiosa para imergir no país do Chavez, afinal, eu nunca tinha tomado conhecimento dele, até ver na TV aquela figura bizarra, aquele homem com cara de bandido, vestido com farda camuflada. Bem, logo que cheguei ao aeroporto, lá estava ele, numa foto simplesmente imensa, ocupando toda a imensa parede, bem de frente para quem desembarca. Estrategicamente colocada onde é impossível ignorá-lo, a imagem mostrava um Chavez com cara de santo, ou coisa que o valha, apontando para o céu, talvez numa alusão de que, para ele, o céu é o limite. Do lado oposto do saguão, uma imagem do mesmo tamanho, de Bolívar, montado em seu imponente cavalo e apontando sua espada... para o céu. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Afinal, depois de alguns dias assistindo TV (não importa o canal, lá está Chavez em todos os canais, o dia todo), descobri que o maluco se acredita a reencarnação de Simon Bolívar. Isso não é força de expressão. Ele acredita MESMO! A propaganda política incisiva encontra-se por todo o aeroporto e, mais tarde, descobri que por toda parte. Os muros, paredes, tapumes e qualquer superfície estão cobertos de propaganda política, como um imenso laboratório de lavagem cerebral. Enormes out-doors, faixas nos postes, traseiras de ônibus, enfim, Chavez entra em sua pupila, não há como fugir. As imagens, ora retratam um gigante viril e pronto para a guerra santa, ora um tipo de Jesus Cristo às avessas, um salvador dos pobres, com criancinhas no colo. No metrô, vi uma dessas imagens que me virou o estômago: a tal reencarnação de Simon Bolívar curvado, entre pessoas do povo, beijando as mãos sujas e calejadas de uma idosa maltrapilha. Eu havia reservado o hotel pela internet. O hotel, “Alba Caracas Hotel”, ex-Hilton. Era assim mesmo que estava na internet. Hotel cinco estrelas por um preço interessante. Fiquei intrigada com a história de “ex-Hilton”, no entanto, logo no primeiro dia um taxista antigo do hotel contou-me tim-tim por tim-tim. Segundo ele, o prédio era alugado para os Hilton, mas Chavez costumava utilizá-lo para fazer suas sessões de discursos e hospedar seus comparsas... de graça. Numa dessas ocasiões, ele mandou seu assessor ligar e dizer que toda a cambada iria passar o final de semana no hotel, pois Chavez estava a fim de fazer bonito para os comparsas e aproveitar para afinar sua verborréia. Era um feriado prolongado e o hotel estava lotado. O gerente do hotel recusou-se a receber a cambada de desordeiros, pois não poderia cancelar as reservas de metade dos clientes, para onde iria transferi-los? A resposta do ditador: -“Que se ponham debaixo das pontes!” Diante da insistente recusa da gerência e direção do hotel, Chavez não teve dúvida: tomou-o à força. Diz o motorista que os Hilton não puderam levar nem os quadros da parede, seus altos funcionários foram escorraçados e o hotel ocupado pela cambada de boné vermelho (te lembra algum movimento de bandidos do Brasil?). Entendi porque eu recebia olhares tão intrigados dos outros “hóspedes”. Na verdade, eu era praticamente a única hóspede pagante, para não ser injusta, eu e mais meia-dúzia. Passei a observar os outros hóspedes, verifiquei que 90% usava crachá. Havia eventos todos os dias, claro, todos ligados ao partido socialista. Podia-se perceber que o hotel já foi realmente requintado, mas as poltronas, as paredes, os móveis, os equipamentos, enfim, já se encontram desgastados, sem manutenção e maltratados pelo uso e abuso de quem nunca comeu melado. Na manhã seguinte, levantei, tomei o café da manhã e fui ao hall para ler um jornal da cidade. Bem... mas esse assunto fica para o nosso próximo bate-papo.
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