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Economia
Postado por Manoel Santos   
Qui, 02 de Fevereiro de 2012 08:42
Balança tem janeiro desastroso
por Agências

A balança comercial brasileira fechou janeiro com o primeiro déficit mensal em dois anos e o maior para meses de janeiro desde 1973, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ontem. O saldo ficou negativo em US$ 1,291 bilhão, com exportações na casa dos US$ 16,142 bilhões e importações de US$ 17,433 bilhões.

O segundo maior saldo negativo para meses de janeiro da atual série histórica (iniciada em 1992) foi registrado em 1998, quando o déficit atingiu os US$ 724 milhões.

A principal culpada para o desempenho ruim, na opinião da secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, foi a crise econômica internacional. "(Este ano) será difícil para o comércio exterior brasileiro. A crise explica os resultados de janeiro", afirmou.

Isso porque o maior tombo das vendas externas foi para a União Europeia (UE), que comprou 25,2% a menos do que em igual mês de 2011. A queda nas exportações para lá, de US$ 799 milhões, porém, quase foi compensada pelo aumento nas saídas para os EUA, de US$ 722 milhões.

A secretária do Ministério não divulgou meta de exportações para 2012. Informou apenas que espera que as vendas deste ano pelo menos repitam o desempenho de 2011, quando foram de US$ 256 bilhões.

Bens de consumo – Entre as quatro categorias cujas importações mais subiram em janeiro está bens de consumo, com alta de 15,7% e, dentro desse segmento, vestuário. O movimento vem assustando a indústria brasileira do setor, que se organiza para pedir proteção ao governo (ver matéria abaixo). E o principal fornecedor de produtos para o Brasil no mês de janeiro continuou sendo a China, com US$ 2,936 bilhões exportado.

E, em meio a esse momento conturbado, a maior via da balança brasileira, o Porto de Santos, que concentra 67% do Produto Interno Bruto do País e 70% das transações com o exterior, comemora seus 120 anos. (Agências)

Fazenda discute medidas cambiais

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, enfatizou ontem que uma série de medidas para estimular as exportações está em análise no governo. Ela disse, por exemplo, que o estudo de medidas cambiais está a cargo do Ministério da Fazenda e que o resultado deficitário da balança comercial de janeiro deve ampliar o engajamento dos demais ministérios na busca por saídas para elevar as vendas brasileiras para o exterior. "O financiamento é um componente importante entre as medidas. Também buscamos uma simplificação das exportações e fazer com que as empresas de menor porte também passem a exportar", disse a secretária.

Uma outra ação que está em estudo, conforme Tatiana, é vincular a inovação de produtos e a promoção de comércio exterior ao aumento das exportações de itens com maior valor agregado. "Precisamos de medidas que levem em conta o novo cenário internacional, que leve em conta o desaquecimento de economias maduras", pontuou. Por isso o MDIC está empenhado, segundo Tatiana, na busca de novos mercados. Alguns exemplos, conforme a secretária, são países do norte da África ou até da América do Sul, como a Venezuela, que são nações com maior risco e, portanto, que acabam encarecendo o custo do crédito para o exportador. "É preciso pensar um financiamento que estimule as exportações para esses tipos de países", declarou.