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| Colaboração |
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| Geral | |||
| Postado por Manoel Santos | |||
| Dom, 06 de Novembro de 2011 07:08 | |||
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"Nem sempre a justificativa de não incentivar atitudes iguais justifica alguma coisa" Um artigo de Wanderley Duck (*)
Hoje sem um helicóptero e sem um microfone para narrar e noticiar o dia a dia da cidade de São Paulo, o jornalista Geraldo Nunes, que nem estava presente no local aonde aconteceram os fatos, foi a primeira pessoa que me veio à mente quando assisti o vídeo do recente e lamentável episódio dos dois babacas sem causa, que invadiram uma transmissão ao vivo de um telejornal da Rede Globo.
Pioneiro no uso do helicóptero para orientar motoristas, mostrar os fatos e os problemas que estavam acontecendo na cidade, o Geraldo Nunes, antes das radicais mudanças que aconteceram na antiga Rádio Eldorado, era a presença infalível na hora em que informar e orientar se fazia necessário. Ele dava alternativas, orientava os motoristas paulistanos sobre qual o melhor desvio a ser feito para fugir de um grande congestionamento e coisas assim.
Além dessa prestação de serviço diária, ele também é um competente memorialista das coisas de antigamente da nossa querida São Paulo e tinha um programa semanal sobre o tema, além de ter escrito alguns livros sobre o assunto. Um dia, em uma proeza inédita na aviação, o piloto e ele conseguiram cair não em cima, mas em baixo de uma ponte da cidade. Não me perguntem como eles conseguiram se enfiar lá, só o que sei é que eles não morreram por muito pouco.
A preocupação dos amigos foi geral, afinal o Geraldo Nunes tem um problema nas pernas que eu não sei qual foi a causa, nunca lhe perguntei, mas imagino que deva ter sido alguma doença na infância, talvez poliomielite, e naquele momento sabia-se lá o quanto isso poderia ter agravado as conseqüências do acidente. Felizmente ele e o piloto não tiveram maiores problemas, só o helicóptero mesmo é que foi para a sucata.
Conforme o esperado, o trânsito no lugar aonde eles caíram ficou um caos e, entre ser levado para o pronto-socorro, avisar a família e os amigos que ambos estavam bem e outras providências comuns nesses perigosos momentos, a maior preocupação dele foi tentar continuar orientando o trânsito com o seu telefone celular e avisar a todos que evitassem aquela via, porque havia tido um acidente por lá, o dele mesmo, e que estava tudo congestionado. "--- Evitem a Marginal Pinheiros em ambos os sentidos, na altura da Ponte Eusébio Matoso. Não sei se o nome disso é profissionalismo ou vocação, ou talvez algo maior que exista na alma de jornalistas como ele e que eu, por não ser do ramo, não tenha como compreender. Só sei que, como já lhes disse, que foi justamente no Geraldo e nesse acidente que eu pensei quando assisti o tal do vídeo da invasão do jornal da Globo, porque, ao contrário do nosso amigo que foi em frente, a emissora interrompeu a transmissão. Ao invés de manterem a coisa no ar, ao vivo e com todas as cores do grave momento que poderia estar acontecendo ali, uma agressão a uma repórter ou um atentado contra um dos mais preciosos direitos da democracia, que é a liberdade de imprensa, eles simplesmente tiraram tudo do ar e voltaram às notícias que já estavam na gaveta. Voltaram à perfeição do tudo bonitinho, do tudo limpo e bem editado, mas longe da verdadeira informação, da gravidade do fato que poderia estar ocorrendo ali. O que se viu a seguir foram só dois apresentadores atônitos no estúdio, uma breve colocação indignada do tipo que falta de respeito e fim de papo, nada mais foi visto do local. Mais tarde eles até retomaram a transmissão ao vivo e a repórter comentou que havia se assustado com o que aconteceu, mas o que aconteceu de fato ninguém viu. Não foi só a repórter que ficou assustada, eu também fiquei assustado, porque tomei consciência que um momento grave, aonde a liberdade democrática foi ferida, deixou de ser mostrado por todo um aparato técnico da própria emissora que já estava lá no local. Era só deixar a câmera ligada e o microfone aberto, que o resto viria naturalmente e as pessoas em casa, que têm a capacidade de pensar por si mesmas, saberiam tirar as suas próprias conclusões. Seria a história acontecendo ao vivo, como foi história acontecendo ao vivo o congestionamento de trânsito que o Geraldo Nunes e o Comandante Leonardo arrumaram, história ao vivo que aliás não ficou limpa e nem bem editada, mas da qual eu nunca esqueci. (*) Wanderley Duck é piloto de linhas aéreas, pesquisador da história de São Paulo e estudioso de temas ferroviários, aeronáuticos e navais, sendo colaborador assíduo em livros, sites e publicações sobre esses assuntos.
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Foi na Ponte Eusébio Matoso, na Marginal do Rio Pinheiros, em um 11 de novembro, ou seja, o aniversário do renascimento do nosso repórter voador e do Comandante Leonardo está próximo. Aliás, as famílias deles poderiam fazer um bolo para os dois assoprarem as velinhas e nos convidar para a festa.