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Opinião do Site
Postado por Manoel Santos   
Qui, 22 de Dezembro de 2011 21:41
Pode parecer, para alguns, uma tremenda bobagem o ditado popular que diz: "Quem não deve, não teme."

A reação da ANAMATRA, AJUFE e a AMB é de quem deve e tem muito a esconder.
É fato mais que notório a situação de alguns magistrados neste país.

Pouquíssimos vivem de acordo com sua remuneração, que já é alta.

Pouquíssimos não usam a prerrogativa de serem representantes da justiça, para usufruírem de benesses, muitas vezes oriundas de ações criminosas. Haja vista o Juiz Lalau.

Um dos maiores "chefes" que tive, e não por coincidência um dos mais exigentes, não gritava, não maltratava ninguém, era extremamente cordato e ouvia tudo o que você tinha a dizer.
Quando a situação degringolava, ele usava o poder da caneta. Sem discussões, sem gritos, sem espetáculos, sem aquele clássico "sabes com quem está falando?".

Quando algum desavisado ia lhe cobrar explicações, saía de sua sala como uma barata esmagada. E não se ouvia uma voz mais alta. Aliás, na maioria das vezes, tínhamos que pedir que repetisse o que havia falado.

Tive o prazer de ser ordenança do Tenente Coronel Mario de Melo Matos ( chamado pela tropa de "EME ao cubo"). Quase chegou a Ministro de Exército na época da ditadura Militar. Fez de um tudo para que eu continuasse. Não quis e ele entendeu perfeitamente minha decisão.

O que determinou que ele me escolhesse como seu ordenança foi uma "atitude de abuso" de minha parte.
Ele disse que eu estava com a barba mal-feita.
Tomei posição de sentido, bati continência e disse:
"- O senhor também."
E permaneci em posição de sentido.
Achei uma injustiça, pois eu tinha feito a barba.
Sem se alterar, ele respondeu:

"- Nós, eu e você, temos 5 minutos, para nos mostrarmos como verdadeiros soldados." E saiu correndo.
Embasbacado, perdi preciosos minutos.

Nunca corri tanto em minha vida.
Queria chegar primeiro que ele.
Quando cheguei, ele já estava lá.

Algum tempo depois ele me esclareceu. Ele usava um barbeador elétrico e eu uma Gilhete daquelas de aço.
Rimos muito com isso. Mas disse que havia sido desleal.
E, mais uma vez, ele foi na minha canela:

"- Eu sou o comandante de todos. Tenho que dar o exemplo. Inclusive para você."
Me senti um verdadeiro asno.

Durante a palestra que Reinaldo Azevedo deu no Clube Militar e que eu estava presente, perguntei por ele.
Me informaram que havia falecido.
Fiquei triste. Tratava-se de um grande homem. Justo até não poder mais.

A reação dos magistrados, ou os representantes deles, denota de cara, que muita sujeira se esconde debaixo deste tapete.
Não fosse assim, não tentariam anular uma instituição que, obtendo sucesso em sua empreitada, conseguiria fazer com que um homem que tivesse a função de juiz, fosse respeitado diante da simples identificação de suas credenciais.

Vou citar aqui, mais um exemplo que tive de "Eme ao cubo".
Certa feita ele me pediu que dirigisse seu carro particular para resolver um problema também particular.
Saímos, eu e ele, sem a farda.

Parei na Av Rio Branco e fiquei a esperar que ele retornasse.
Chegou um PM e "ordenou que eu vazasse".
Saí do carro e disse para ele por que estava parado ali.
Ele mês respondeu:
(desculpas antecipadas)
"-Fod.....se".
Me identifiquei para ele, mais uma vez, e tornei a explicar os motivos.
Novamente grosserias.
Disse então, que não sairia dali.
Eme ao cubo chegou durante a discussão. Ele gritando e me ofendendo e eu tentando explicar.
Ele ficou parado.
Pediu o telefone do comandante do PM, se afastou, ligou, voltou para o carro e ficou parado.
Sem falar uma borra de palavra.
Cerca de 5 ou 10 min depois chegou alguém superior ao soldado e disse que ele estava preso por desacato a autoridade.
Que raiva que me deu.
Eme ao cubo chamou o sujeito e disse que só queria que ele retirasse a multa e que não punisse o soldado, mas que lhe ensinasse a ter discernimento para avaliar situações e que aprendesse a ser educado.

Voltei vendendo azeite quente.
Mas não emiti qualquer opinião.
Essa é a atitude de um líder que se faz respeitar não pelos gritos, pela mostra de poder, mas pela coerência ao tomar atitudes INCONTESTÁVEIS.

A atitude tomada por estas associações é a de quem tem muito a esconder.
E é, nesse ponto que admiro, sobremaneira, a conduta da Ministra Eliana Calmon.

Não sei se ela vai vencer essa batalha enorme.
Mas qualquer que seja o resultado, vença ela ou não, uma coisa é certa:

A JUSTIÇA ESTÁ REALMENTE CHEIA DE BANDIDOS DE TOGA e carente de gente honesta.

Prevalece mais uma vez o velho e surrado ditado popular:

Quem não deve, não teme.

E a Ministra Eliana Calmon, graças a Deus, está entre aqueles que nada temem.