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O que é isso JB? PDF Imprimir E-mail
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Opinião do Site
Postado por Manoel Santos   
Qui, 26 de Janeiro de 2012 22:02
Algumas coisas me irritam profundamente nos dias atuais.

A garotada, com seus míseros 19 ou 21 anos atacando o Regime Militar para defender um bando de assaltantes da política, de nossas liberdades e de nosso dinheiro.

Só quem viveu aquela época pode ter a sua visão sobre aquele momento de nossa história. Se for muito interessado, poderá, través dos arquivos, fazer uma idéia do que realmente aconteceu.

Quem trabalha como jornalista, nos grandes meios de comunicação tem a facilidade de ter à mão, fragmentos da história, através de seus arquivos. Muito deles digitalizados nos dias de hoje. É inadmissível que fale sem pesquisar. Que distribua bobagens, sem saber do que fala e ainda com a intenção de fazer a cabeça dos idiotas úteis que compra a primeira mercadoria que lhe é posta diante das ventas.

Mais uma coisa que muito me irrita é ver a ilha inferno dos Castros ser defendida por quem nunca lá esteve.
Quem chama aquilo de paraíso ou "outro mundo possível" não sabe o que é viver em um inferno.

Mas o que me deixa verdadeiramente abismado é quando a imprensa, através de um editorial, tenta passar uma visão completamente descabida de uma fato.
Não sei se por ignorância, não sei se por interesse ou, quem sabe, pelas gordas verbas de publicidade que recebe.

Comecei a ler o Jornal do Brasil aos 15 anos de idade. Obrigado, diga-se de passagem.
Meu professor de português exigia que lêssemos um grande jornal diariamente.
Tínhamos exercício de redação uma vez por semana e o tema era sempre o mesmo:

FALE SOBRE O ARTIGO QUE VOCÊ ACHOU MAIS IMPORTANTE DO JORNAL QUE VOCÊ LEU.

Durante o regime militar o meu querido JB representava uma voz quase solitária contra o Regime.
Era o símbolo da resistência.
Até o dia em que o querido JB parou suas prensas, atolado em dívidas impagáveis.
Pois bem.

O JB de hoje, traz um editorial. O LINK está AQUI.
Não traz quem escreveu e portanto, representa o pensamento do Jornal e de seus funcionários.
Não deveria.

O JB chama de "denuncismo" os fatos graves que tem sido RELATADOS pela imprensa sobre a lama em que chafurda uma parte do judiciário brasileiro e classifica a JUSTIÇA como o coração da democracia.
Erra o JB. O coração de uma democracia é justamente a imprensa.

Diz o JB que "todos os momentos em que o Judiciário foi atacado e perdeu seus poderes, a instabilidade se instalou entre os cidadãos. A Justiça é o coração da sociedade. Sem ela, não é possível viver".

Uma visão no mínimo deturpada do que se passa atualmente com a justiça brasileira.
E cita um exemplo:

"Um exemplo claro disso aconteceu semanas atrás, quando policiais do Ceará entraram em greve. Sem PMs - um braço da Justiça - nas ruas, arrastões e assaltos deixaram a população em pânico. Lojas fecharam suas portas, famílias se abrigaram em suas casas e trabalhadores buscaram abrigo."

Eis aí.
Não foi, neste caso, a justiça que deixou de ser exercida. Ela deixou de ser praticada por um grupo de servidores públicos que entraram em greve, e não vou aqui justificar se foi legal ou ilegal ou justa ou injusta.

E o meu querido JB vai incorrendo no mesmo erro ao citar Collor e Sarney.
Chegando ao caso Pinheirinho, destaca que "sem a presença da força e da ordem não seria possível aconteceu o que aconteceu", numa clara contradição com a tese desenvolvida nos parágrafos anteriores.

E o JB vai citando uma penca de exemplos POLÍTICOS até chegar na seguinte frase:

"Um país pode viver sem a sua "cabeça" - Poder Executivo, sem seus "membros" - Poder Legislativo - , mas não pode viver sem seu "coração" - Poder Judiciário."


Ahhhhh JB! Que tristeza.
Chega o momento então, de perguntar a quem escreveu este editorial:

Então é admissível que a imprensa se cale diante de juízes que roubam? Que vendem sentença? Que recebem polpudos salários sem oferecer a justiça igualitária que não discrimina pobres de ricos?
Que manipula sentenças de acordo com o desejo de governantes? Que condena inocentes? Que agride costumeiramente a CARTA MAGNA DE UMA NAÇÃO?

Quem zela por isso, isto é, pela democracia, é uma imprensa livre e isenta.

Erra o autor ao dizer que um país pode viver sem a sua cabeça (Executivo) ou sem seus membros (legislativo).
Tivemos no Brasil "cabeças malucas a nos governar". Quem serviu de médico para o enfermo paciente foi justamente seus "membros" que deletaram a cabeça doente do corpo país.
Quando os membros (legislativo) foram calados à força, tivemos uma ditadura e seus homens biônicos.

Não JB.
Um país não vive sem uma autoridade maior, desde que legalmente constituída. Nem tampouco sem um legislativo soberano.
Eles são complementos de uma democracia sólida.

Mas quando ambos passam a existir é a imprensa quem tem a obrigação de INFORMAR e mostrar aos cidadãos o que estão fazendo contra ele.
O nome disso é equilíbrio de poderes que, independentes entre si, ajudam a pavimentar a democracia.

Está dito no editorial:

"A desmoralização da Justiça e do Judiciário não faz bem à sociedade."

Mais uma vez não JB:

Uma Justiça e um Judiciário imoral, desonesto, preguiçoso, perdulário e que despreza o que diz a LEI é que não faz bem à sociedade.

Na semana passada, um juiz foi pego em gravações autorizadas pela própria justiça e divulgadas pela imprensa.

Na gravação o desembargador Francisco Betti diz textualmente o seguinte:

"Vou te contar, eu sou bandido!"

Pergunto ao autor do editorial:

O senhor gostaria de ter um processo nas mãos deste auto-intitulado bandido?