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Mundo
Postado por Manoel Santos   
Ter, 17 de Janeiro de 2012 20:27
Crise das economias ricas reduz ajuda humanitária aos países pobres
Bloomberg

A crise da dívida na Europa tem derrubado governos, prejudicado os mercados e provocado medidas de austeridade que estão afetando milhões de pessoas. Agora, pode matar.

Na República Democrática do Congo, 28 mil portadores de HIV que deveriam começar o tratamento até 2014 poderão ficar sem ele por causa da diminuição da ajuda estrangeira que permite a compra dos medicamentos contra a aids, de acordo com os Médicos sem Fronteiras.

"Por causa da falta de medicamentos, as pessoas não estão fazendo testes", disse o analista de HIV da organização, Thierry Dethier. "Por isso, pessoas com aids estão morrendo".

"A situação financeira só vai piorar", disse o professor Lawrence Gostin, da Universidade Georgetown em Washington. Ele integra um comitê que está aconselhando a Organização Mundial de Saúde sobre uma reestruturação na entidade. "Há países doadores de recursos que estão em crise financeira, e portanto há uma maior concorrência pelos recursos."

A ajuda médica internacional tem aumentado menos de 4% ao ano desde 2009, depois de crescer em média 13% entre 2002 e 2008. No ano passado, atingiu US$ 27,7 bilhões, aponta relatório do Instituto para Indicadores e Avaliação da Saúde.

"Isso é mais ou menos a mesma quantidade que os americanos gastam numa Black Friday", disse a principal autora do relatório, Katherine Leach-Kemon. Ela referiu-se ao dia que sucede o de Ação de Graças nos EUA, quando milhões de pessoas vão às compras atraídas pelos descontos oferecidos pelas lojas.

No ano passado, a ajuda dos EUA para a saúde aumentou em 1,6%, para US$ 7,6 bilhões; na década anterior, o valor crescia em média 18% ao ano. A Espanha reduziu suas doações em 19% no ano passado, para US$ 246 milhões, enquanto a Holanda cortou em 15% suas contribuições, para US$ 211 milhões.

Esses cortes estão agora começando a pesar. O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, que gastou ou comprometeu-se a gastar US$ 22 bilhões desde 2002 na luta contra as três doenças infecciosas que mais matam no mundo, disse em novembro que não fará mais nenhuma garantia para os próximos dois anos, por causa do declínio das contribuições.